sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sou Boca Junior, que nada, sou torcedor do bom futebol e da qualidade individual e coletiva, mas que é bom tirar sarro de Corinthiano é...Aliás que time retranqueiro esse tal de Corinthias. Meu palpite, empate e pênaltis com vitória do Boca.

sábado, 2 de junho de 2012

sábado, 10 de março de 2012

 Do jornalista Zuenir Ventura, em "O Globo" de hoje, em coluna intitulada "Aos mestres, sem carinho":

   "Por experiência própria, alguns dos países mais bem colocados no ranking de qualidade da educação — China, Coreia do Sul e Finlândia, principalmente — sabem que a isso se deve muito do seu desenvolvimento socioeconômico, sem falar no cultural.
    O Brasil, ou parte dele, parece não saber. Bastou o Ministério da Educação divulgar o novo piso salarial dos professores da rede pública, a fortuna de R$ 1.451,00, para que governadores e prefeitos protestassem e alegassem falta de recursos para adotar uma lei que já fora confirmada pelo STF.
Onze deles se deslocaram até Brasília para pressionar pela mudança do parâmetro usado nos reajustes.
Choraram miséria, falaram em nome da austeridade, mas acharam natural gastar na viagem, com passagens e diárias, o que dava para pagar um mês do novo salário de dezenas de profissionais de ensino.
O caso mais gritante é o do Rio Grande Sul, que ostenta o piso mais baixo, 791,00 (o de Roraima é R$ 2.142,00), e onde foi preciso que a Justiça obrigasse o governo a cumprir suas obrigações legais.
Como observou o colunista Carlos Brickman, o governador petista Tarso Genro, “cuja função certamente não é tão útil quanto a de um professor, recebe quase R$ 30 mil mensais, fora casa, comida e muitas mordomias”.
E parece não concordar com a opinião de seu colega de partido, o ministro Aluizio Mercadante, de que “a valorização do professor começa pelo piso”.
Por essas e outras é que quase ninguém mais quer ser docente aqui, enquanto em outros lugares acontece o contrário. Numa recente entrevista a Leonardo Cazes, o finlandês especialista em educação Pasi Sahlberg informou que “o magistério é a carreira mais popular entre os jovens do seu país”.
Não por acaso, a Finlândia ocupa o terceiro lugar no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) e o Brasil o 53 entre 65 países.
Talvez não seja coincidência também que o Distrito Federal, com o piso mais elevado (R$ 2.315,00), apresente o melhor resultado, segundo os critérios do Pisa.
É bom saber que o Brasil acaba de ser declarado a sexta economia mundial. Mas é triste constatar que em qualidade de educação estamos lá embaixo, atrás de Trinidad e Tobago, Bulgária e México.
E que uma das razões é que dedicamos aos nossos mestres pouco carinho e remuneração insuficiente. "

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Finlândia é exemplo de valorização do educadorPDFImprimirE-mail
Terceiro colocado no ranking do Pisa, receita de sucesso do país é valorização do professor e do ambiente escolar
No ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) 2009, aplicado em 65 países pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a Finlândia alcançou o 3° lugar. O país chama a atenção não só pelos bons resultados, mas por apresentar um modelo diferente dos outros líderes do ranking, China e Coreia do Sul. No lugar de toneladas de exercícios e de um ritmo frenético de estudo, na Finlândia há pouco dever de casa. A maior preocupação é com a qualidade dos professores e dos ambientes de aprendizado. Não há avaliações periódicas padronizadas de alunos e docentes, que não recebem remuneração por desempenho. E todo o sistema escolar é financiado pelo Estado.
Em seu livro, "Finnish lessons: what can the world learn from educational change in Finland?" (em uma tradução livre, Lições finlandesas: o que o mundo pode aprender com a mudança educacional na Finlândia?), Pasi Sahlberg, diretor de um centro de estudos vinculado ao Ministério da Educação do país, diz que o magistério é a carreira mais popular entre os jovens e que a transformação no Brasil deve começar pela igualdade de acesso a um ensino de qualidade.
O GLOBO: A Finlândia ocupa a 3 posição no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), entre 65 países avaliados pelo exame da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, nem sempre foi assim. Quando começou a transformação na Educação finlandesa?
PASI SAHLBERG: A grande transformação do sistema educacional finlandês começou no início da década de 1970, quando foi criado o sistema de ensino obrigatório de nove anos. Todas as crianças do país passaram a estudar em escolas públicas parecidas e de acordo com o mesmo currículo nacional.
O principal objetivo desse modelo era igualar a oportunidade de acesso a uma Educação de qualidade e aumentar o nível educacional da população. Assim, a reforma educacional não foi guiada pelo sucesso escolar e, sim, pela democratização do acesso a escolas de qualidade. Esse movimento continuou nos anos 90, com a necessidade de uma população mais preparada para o mercado de trabalho.
O GLOBO: Quais foram as bases da revolução educacional finlandesa? Quais são seus pontos fortes?
SAHLBERG: O compromisso da sociedade finlandesa pela igualdade de acesso a uma Educação de qualidade foi decisivo. A Finlândia com seus 5 milhões de habitantes não pode perder nenhum jovem. Todos precisam ter uma Educação de qualidade. Os pontos fortes do sistema finlandês são o foco nas escolas, para que elas possam ajudar as crianças a ter sucesso; Educação primária de alta qualidade, que dê uma base sólida para as etapas seguintes do aprendizado; e a formação de professores em universidades de ponta, que tornaram a profissão uma das mais populares entre os jovens finlandeses.
O GLOBO: No Brasil, muitas políticas públicas sofrem com a falta de continuidade. Isso acontece na Finlândia? O que fazer para garantir a continuidade?
SAHLBERG: A Finlândia manteve uma política pública estável desde a década de 70. Diferentes governos nunca tocaram nos princípios que nortearam a reforma, apenas fizeram um ajuste fino em alguns pontos. Essa ideia de uma escola pública de qualidade para todos os finlandeses foi um consenso nacional construído desde a Segunda Guerra Mundial. É o que no livro eu chamo de "sonho finlandês".
O GLOBO: O mundo parece buscar uma fórmula mágica para a Educação. Existe uma fórmula válida para todos?
SAHLBERG: Não, não existe nenhuma fórmula mágica nem um milagre secreto na Educaçãofinlandesa. O que fizemos melhor do que outros países foi entender qual é a essência do bom ensino e do bom aprendizado. As crianças devem ser vistas como indivíduos que têm diferentes necessidades e interesses na escola. Ensinar deve ser uma profissão inspiradora com um grande propósito de fazer a diferença na vida dos jovens.
Infelizmente, esses princípios básicos deram lugar a políticas regidas pelo mercado em vários países. Essa lógica de testar estudantes e professores direcionou os currículos e aumentou o tédio em milhões de salas de aula. A fórmula para uma reforma da Educação em muitos países é parar de fazer essas coisas sem sentido e entender o que é importante na Educação.
O GLOBO: O que foi feito na Finlândia e que poderia ser reproduzido em outros países em desenvolvimento, como o Brasil?
SAHLBERG: A pergunta deve ser o que é possível aprender com a experiência finlandesa, não reproduzir. Primeiro, a experiência da Finlândia mostrou que é possível construir um modelo alternativo àquele que predomina nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países. Mostramos aqui que reformas guiadas pelo mercado, com foco em competição e privatizações não são a melhor maneira de melhorar a qualidade e a equidade na Educação.
Segundo, é importante focar no bem-estar das crianças e no aprendizado da primeira infância. Só saudáveis e felizes elas aprenderão bem. Terceiro, a Finlândia mostrou que igualdade de oportunidades também produz um aumento na qualidade do aprendizado. É preciso que o Brasil combata essa desigualdade de acesso. Só um plano de longo prazo para a Educação e compromisso político possibilitarão que os resultados sejam alcançados.
O GLOBO: Os professores ocupam um papel importante no sistema finlandês. Como prepará-los bem? Um salário atrativo é importante?
SAHLBERG: Professores são profissionais de alto nível, como médicos ou economistas. Eles precisam de uma sólida formação teórica e treinamento prático. Em todos os sistemas educacionais de sucesso, professores são formados em universidades de excelência e possuem mestrado.
O salário dos professores deve estar no mesmo patamar de outras profissões com o mesmo nível de formação no mercado de trabalho. Também é importante que professores tenham um plano de carreira, com perspectivas de crescimento e desenvolvimento.
O GLOBO: No Brasil, poucos jovens são atraídos pelo magistério. A carreira atrai muitos jovens na Finlândia?
SAHLBERG: O magistério é uma das profissões mais populares entre os jovens finlandeses. Todo ano, cerca de um a cada cinco alunos que terminam o ensino médio tem a carreira como primeira opção. Há dez vezes mais candidatos para programas de formação de docentes para Educação infantil do que vagas nas universidades.
A Finlândia tem o privilégio de poder controlar a qualidade dos professores na entrada e depois garantir que só os melhores e mais comprometidos serão aceitos nessa profissão nobre.
O GLOBO: A inclusão das novas tecnologias nas salas de aula vem sendo muito debatida. Como você vê esse processo? Como isso é feito na Finlândia?
SAHLBERG: Tecnologia é parte das nossas vidas e é usada nas escolas finlandesas. Professores na Finlândia usam tecnologia para ensinar de maneiras muito diferentes. Alguns, a utilizam muito e outros raramente. Aqui a tecnologia é uma ferramenta, mas o foco continua sendo na pedagogia entre pessoas, sem tecnologia. A tecnologia não deve guiar o desenvolvimento educacional e, sim, ser uma ferramenta como várias outras.
O GLOBO: Retomando o título do seu livro, quais são, afinal, as principais lições do sistema deEducação finlandês?
SAHLBERG: A mais importante das lições é que há uma alternativa para se chegar ao sucesso prometido por reformas guiadas pelo mercado. A Finlândia é o antídoto a este movimento que impõe provas padronizadas, privatização de escolas públicas e remunera os professores com base em avaliações de desempenho que se tornou típico de diversos sistemas educacionais pelo mundo. (O GLOBO, 27/02/12)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Governadores x professores
Na posse de Maria das Graças Foster na presidência da Petrobras, ontem, os governadores Sérgio Cabral (RJ), Jaques Wagner (BA), Antonio Anastasia (MG), Cid Gomes (CE) e Renato Casagrande (ES) pediram ao presidente da Câmara, Marco Maia, para colocar em votação projeto que reduz o piso nacional dos professores. O reajuste em 2012 será de 22%. Os governadores querem que o parâmetro seja o INPC, que daria um aumento de 6%.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Este texto fabuloso é do colunista Cao Hering...vale a pena

“Universotário”

Juro pra você, caro e paciente leitor, vez ou outra paro, apalermado, tentando compreender o estrago que a indústria fonográfica fez no gosto musical dos brasileiros. Minha aversão a esse ultraje à escala cromática tem origem: o forte divisor nos costumes liderado por uma turma que ousou olhar a cultura, sobretudo a música, de ponta-cabeça e agora chega aos 70 anos. Alguns até ultrapassaram a risca, outros já percorrem estradas desconhecidas. A lição é antiga, faz uns anos falei dela aqui. Quando vivia o olho dessa revolução, jovem e ingênuo, um igualmente jovem e competentíssimo professor de português nos mostrou porque, naquele tsunami (a palavra ainda não existia) de criatividade musical, uma parcela da população insistia em consumir em doses significativas a música caipira, de rimas pobres e óbvias construções melodramáticas.

“Passa pelo universo de cada um”, disse o mestre. E naquela aula, parafraseando Geraldo Vandré, um genial compositor daquele tempo de mudanças, “as visões se clarearam”. Facilíssimo: os diferentes universos aos quais cada um de nós pertence explicam não só a questão do gosto musical, mas os eventuais impasses ao apresentarmos um ponto de vista. O cara com quem você interage não precisa vir de um universo totalmente estranho ao seu, basta haver bagagens desproporcionais de conhecimento e vivência e não haverá diabo no mundo que faça um gostar de Ai Se Eu Te Pego e o outro de Águas de Março...

Minha intriga é com quem tomou os lugares de Caetano, Gil, Tom, Elis, Geraldo, Baden, João, Rita, Chico, Francis, Vinicius, Adriana, Gal, Bethânia, Menescal, Lupicínio, Nara, Taiguara, Raul, Antônio Carlos, Jocafi, Sá, Guarabyra, Martinho, Paulinho e mais uma infinidade de virtuoses da MPB (falta muito nego bom nessa lista...) quando abriram naturalmente seus espaços para a turma que vinha chegando. Aquela célula sertaneja, servindo a um público sem interesse ou condição intelectual para acessar os movimentos de ruptura, de repente viu-se à vontade para crescer, pois a expectativa por mais erudição – ou mesmo uma manutenção – entre os brasileiros com a chegada de novas e ágeis tecnologias, virou triste regressão e o mau gosto tomou conta de vez. É de chorar em caipira.

Exceções à parte, o que a Educação fez com o Brasil nas últimas décadas? Desde salários “ó!”, professores “hã?”, alunos “aê, profe, vai encará!?” e curiosidades como o sistema que considera “traumática” a reprovação, também no tocante às artes fomos adquirindo gradativamente um insaciável paladar de égua. Meu caro jovem, se consegui segurar você até aqui é bom sinal. Topa submeter-se a uma experiência bem fácil? Vá ao YouTube e ache Construção de Chico Buarque. Aí procure ficar a sós e apague a luz, cale a voz, folgue os nós da gravata, dos sapatos, esqueça a data (Opa! Isso já é Gilberto Gil...) e assimile estrofe por estrofe dessa bela composição – uma formidável catadupa de proparoxítonas com instigante crítica social adaptável a qualquer tempo – que a moçada das baladas da minha época fez chegar aos primeiros lugares. Mais: muitos “hits” eram assim.

Mas a galera achinelou-se e as gravadoras – pragmáticas e boas no mimetismo – fizeram a rápida e providencial leitura ótica do mercado. Nada de pérolas aos porcos. Serviram-lhes a lavagem mesmo, é mais barata e muito bem aceita. Por momentos cheguei a acreditar no famoso ciclo, pelo qual – como a moda, a gastronomia, o cinema, etc. – um dia reviveríamos a música de qualidade. Mas ouvi por aí que Michel Teló vai ser recebido pelos “heróis” do BBB.

E alguns ainda esperam o Apocalipse só lá pro fim do ano...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Golpe SBT 30 anos

Acabei de receber um SMS dizendo que fui sorteado e ganhei um carro 0 Km no valor de 100 mil reais...deveria ligar para um celular..observei o DDD e descobri que seria de fortaleza...estou rindo até agora.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Blog da Marta Vanelli: REAJUSTE DO PISO NACIONAL

Blog da Marta Vanelli: REAJUSTE DO PISO NACIONAL: Em reunião realizada hoje, dia 13 de dezembro, com a presença da Ministra Ideli Salvatti, Ministro Gilberto Carvalho e o Secretário Especia...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Eu já sabia

 O secretário adjunto da Educação, Eduardo Deschamps, apresentou a versão oficial sobre a matéria. Disse que todos os professores terão aumento nos salários de 8% no mês de janeiro. Incidirá sobre o piso e sobre todos os vencimentos na carreira.
No primeiro semestre do próximo ano, o governo fará uma avaliação sobre o novo piso salarial do magistério. Projeto de lei 3776, que trata da matéria tramita na Câmara Federal. Passou por todas as comissões, faltando apenas a de finanças. Definirá se o piso será reajustado com base no INPC ou índice do Fundeb. A vigência poderá ficar para maio. Assim, naquele mês serão feitos os cálculos e atualizados os salários dentro do novo piso.
A Comissão da Educação volta a se reunir hoje para estudar aplicação do piso na carreira do magistério.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Do fabuloso Jornalista Lúcio de Castro

“Polícia é polícia, bandido é bandido. Não devem se misturar, igual água e azeite.” 


Lúcio Flávio Vilar Lírio - bandido.






Com a famosa frase do meu xará menos ortodoxo começava aqui nessa trincheirinha um texto chamado “O bonde do Nem e a impunidade da cartolagem tem muito em comum”,(23/8/10). Na véspera um fuzuê sacudiu meu Rio, com polícia e o bonde do Nem envolvidos, e o traficante “conseguindo escapar”. Na época, como mostra o título, fiz uma analogia entre a situação e os nossos cartolas, que sempre “conseguem escapar” da polícia. 


Falava da mineiragem e do arrego, termos para tratarmos sobre extorsão, suborno, etc. Um ano depois, o tal bonde do Nem é notícia de novo nas páginas do mundo inteiro. Assim como a barulhenta “ocupação da Rocinha” e a UPP. (Falamos aqui também sobre UPPs em 26/11/10, em “São Sebastião ainda olha por nós e algumas considerações”). Na ocasião, questionar a ação e as UPPs era como heresia. Assim como hoje, foi preciso proteger a cabeça das pedras. As pessoas adoram ser enganadas, é um fato. 


Pois como entender tamanho silêncio para algumas coisas evidentes demais da ação da última semana? Tanto ufanismo e gritos de vitória, tanta pirotecnia, deixando a óbvia necessidade de que existe muito a se apurar na operação para trás não merece alguma dúvida na cabeça das pessoas pelo menos? O mesmo tom de vitória e ufanismo da invasão do Alemão, mesmo com tantos bandidos fugindo e com as notícias e óbvia constatação de que o tráfico prossegue nas favelas com UPP, não merecia agora um pouco mais de consciência e análise crítica? 


Passemos por alguns fatos. Um pouco de análise e um pouco de informação, apuradas aqui e ali...Durante uma tarde pacata, um bonde de traficantes escoltados pela polícia (sim, isso mesmo!) é interceptado no bairro da Gávea. A polícia federal, monitorando um bonde, descobre que cinco policiais civis e militares faziam a segurança de traficantes que deixavam a Rocinha. Efetua a prisão e acima de tudo cataloga um “modus operandi” para a fuga dos bandidos acuados na Rocinha. Mais uma vez uma maneira de agir, como já acontecera no Alemão parece em curso: fuga de bandidos com escolta de alguns policiais. 


Na mesma noite, a mesma polícia federal intercepta outro comboio, como o primeiro: de policiais militares e um carro. Um carro que furou o cerco das revistas na Rocinha, sob a alegação dos policiais, justificando que não revistaram ali porque “iriam conduzir o veículo a uma delegacia”. O tal comboio segue. Novamente, como na parte da tarde, um efetivo da polícia federal intercepta o tal comboio. Ao abrirem a mala, lá está o bandido Nem. O curioso é que nem mesmo diante da oferta de suborno, segundo a versão de quem fazia parte do comboio, os policiais que estavam antes da chegada da PF tiveram a curiosidade de abrir a mala. Claro que, diante de tal oferta de suborno, já não havia porque respeitar qualquer imunidade diplomática. Se queriam subornar, era porque algo errado existia. Mas só a PF teve a curiosidade de abrir a mala.


E ninguém questiona tal versão? Foi preciso, assim como de tarde, que um contingente da PF chegasse para que enfim existisse a curiosidade de abrir a mala. Mas e a tal imunidade? Já não valia? Por que os outros não fizeram o mesmo antes? 


São apenas perguntas, que gostaria de ver respondidas. Caso respondidas, aí sim aceitaria a celebração de tais policiais como heróis, como tem sido feito desde então. O pior é ver jornalistas e veículos respeitados celebrando sem fazer as básicas perguntas. Repito: são apenas perguntas, mas que precisam ser feitas. E respondidas. 




E mesmo o secretário Beltrame, tão festejado, oxalá esteja exigindo investigação de tal operação. Jogar tudo para baixo do tapete será se satisfazer apenas com a pirotecnia. E se satisfazer apenas com a pirotecnia, sem intenção de mudar a polícia, ponto central da questão de segurança no estado e no Brasil (falaremos do social mais adiante), será mais uma vez adiar o problema, que voltará na frente. Que o mesmo Sérgio Cabral, sumido quando o assunto é enchente ou bonde de Santa Teresa apareça insistentemente para colher os louros da glória, dá pra entender. Sabemos que é assim. Que a sociedade ache normal que isso aconteça sem questionamentos vão outros quinhentos. 


Melhor fez Luis Eduardo Soares, tantas vezes citado aqui. Na véspera da invasão da Rocinha postou:


“Preparem-se para imagens de guerra sem guerra. Depois de sustentar por décadas o tráfico na Rocinha,as polícias rompem a sociedade e dão show. Não haverá confronto na Rocinha. Aparato de guerra é absurdo.Efeito especial para show midiático-político. Soldados escorregarão no óleo e só.” 


Soares acertou palavra por palavra. Mas, como sabemos, as pessoas adoram ser enganadas!


O ponto principal aqui não é a fuga, o bonde, a prisão, a escolta. O ponto principal é entendermos o cerne da questão. È tentarmos identificar, por trás da fumaça pirotécnica que ainda faz cortina, o que está por trás de tudo e o que efetivamente deveria ser feito para mudar. Só existe um caminho para mudar o tal estado de coisas, além das políticas sociais de efetiva integração das partes menos favorecidas (este aqui um ponto crucial, sem o qual obviamente nada muda): uma mudança e limpeza radical das forças de segurança, com vontade política para cortar na carne. Sem o qual, nada adiantará.


A Itália ensinou o caminho com algum êxito em condições muito mais adversas: na Operação Mãos Limpas, todo servidor do estado, do mais alto ao mais baixo, do juiz ao policial, tem sua vida investigada, com evolução patrimonial investigada. Feito isso, está feita a limpeza e é possível começarmos a pensar em mudança na política de segurança, aliada, repetindo porque sempre vale, a junção com as medidas de cunho social. Se não tem como explicar evolução patrimonial ou sinais de enriquecimento incompatíveis com renda, está fora, xilindró. 


Do governador ao guarda da esquina, passando por legislativo, executivo e judiciário. Desarmando o braço do crime infiltrado no estado, esta sim questão maior. Senão, seguiremos com a pirotecnia e o estado aparelhado, milícias funcionando, os Freixos da vida obrigados a deixar o país. E o que é pior: o risco grave de boas iniciativas como a das UPPs se transformarem em tráfico de drogas estatizado. Sem o poderio militar na mão dos bandidos, mas com o tráfico agindo sob a tutela do estado, como já são algumas áreas milicianas. E se não abrirmos o olho, nas UPPs. Como as pessoas adoram ser enganadas, é bem provável que aconteça, já que no jogo do faz de conta, já estarão satisfeitas com a pirotecnia atual. Por enquanto, nenhuma palavra sobre qualquer ação contra áreas dominadas por milícias...


Vale para o Rio e para todo o país. Afinal, como as pessoas também adoram ser enganadas em qualquer lugar, adoraram por anos acreditar que só existia violência no Rio.


Ps1- Este texto olha com mais atenção para a operação policial por uma razão muito simples, ainda que o autor saiba e repita mil vezes que os aspectos sociais da questão sejam muito mais relevantes: como jornalista e amante do ofício, dói o tom espetaculoso e pirotécnico da cobertura, e a total ausência de alguns questionamentos e apurações básicas. Acredito mesmo que alguns bons repórteres da área, pródiga em excelentes profissionais, saibam dos verdadeiros detalhes da operação. Dois ou três telefonemas são suficientes para tal, asseguro. Mas que não possam contar tudo por duas razões. Uma legítima, que realmente inviabiliza: a falta de ter como provar ainda que tenham a informação. E a outra a imensa vontade de alguns veículos em fazer pirotecnia, além dos imensos interesses no Rio da Copa e das Olimpíadas. Sobre os aspectos sociais do episódio, aqui postos em grau menor do que mereciam pela explicação acima, recomendo a mais uma vez imperdível coluna de Francisco Bosco no jornal O Globo. (É, alguns fogem da mesmície...). Que mais uma vez vai se confirmando como o grande colunista da nova geração. 


Ps2- será que você está entre os que acreditam que dessa vez “houve uma ação coordenada entre as polícias”, como tem sido dito e publicado acriticamente por alguns? Ou que, ao contrário das outras vezes, em que os bandidos fugiam com escolta, existiu algo novo que fugiu ao controle dos que faziam a operação antes? Mas para que não fique sendo uma exaltação a quem também deve satisfação, falta a Polícia Federal mostrar que tem vontade política de ir adiante, e investigar a tal operação, divulgar as respostas para tantas perguntas que temos sobre o tal comboio. Se sentar em cima, também será cúmplice. E aliás, vale para as investigações sobre Ricardo Teixeira. Esperamos que não estejam acomodadas. As primeiras declarações da entidade sobre o brilhante trabalho do Procurador Marcelo Freire não são animadoras e indicam sonolenta pizza a caminho ...Ih, mas isso é outra história. Ainda falaremos aqui!




Ps3- A Procuradoria da República concentra hoje algumas das últimas esperanças de gente séria e comprometida efetivamente com mudanças, investigações sérias...Claro que não são todos. Mas alguns jovens fazem trabalhos espetaculares. Marcelo Freire, citado acima e sobre quem já falei no ar algumas vezes, faz um trabalho excepcional. É dele a responsabilidade pelas investigações sobre a CBF e Ricardo Teixeira. Um outro jovem valor do Ministério Público Federal faz trabalho valente e brilhante também: Fábio Seghese. 


Foi ele que postou hoje a enigmática frase: “Conexão Maricá-Rocinha. Circula esse roteiro. Documentário ou ficção?”.


Tem tudo a ver com informações colhidas aqui e ali sobre o comboio que seguia da Rocinha com direito a escolta vip, interceptado pela PF. Nos órgãos de segurança e inteligência, o tal roteiro já circula com muitas informações sobre o comboio. O tempo pode resolver o enigma. Ou jogá-lo para baixo do tapete. O mais provável. O que importa? As pessoas querem mesmo aplaudir a pirotecnia.