domingo, 29 de julho de 2012

Na revista CartaCapital desta semana, em matéria publicada sobre o caixa 2 da campanha de reeleição do Tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998, intitulada o ¨Valérioduto¨, aparece o nome do ex-senador Jorge Bornhausen como beneficiário no valor de 190.000,00 reais. segue link http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/07/arquivo_04.pdf

terça-feira, 3 de julho de 2012

Criança come biscoitos de maconha da avó e acaba em hospital - Fernando Moreira: O Globo

Criança come biscoitos de maconha da avó e acaba em hospital - Fernando Moreira: O Globo


MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Hora de recobrar o bom senso
Carta aberta à presidente Dilma Rousseff

Exma. Sra.
Dilma Vana Rousseff
Presidente da República Federativa do Brasil
Excelentíssima Senhora Presidente:
Em uma recente reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, a senhora afirmou que a fantasia não tem lugar nas discussões sobre um novo paradigma de crescimento – do qual a humanidade necessita, com urgência, para proporcionar a extensão dos benefícios do conhecimento a todas as sociedades do planeta. Na mesma ocasião, a senhora assinalou que o debate sobre o desenvolvimento sustentado precisa ser pautado pelo direito dos povos ao progresso, com o devido fundamento científico.
Assim sendo, permita-nos complementar tais formulações, destacando o fato de que as discussões sobre o tema central da agenda ambiental, as mudanças climáticas, têm sido pautadas, predominantemente, por motivações ideológicas, políticas, acadêmicas e econômicas restritas. Isto as têm afastado, não apenas dos princípios basilares da prática científica, como também dos interesses maiores das sociedades de todo o mundo, inclusive a brasileira. Por isso, apresentamos-lhe as considerações a seguir.
1) Não há evidências físicas da influência humana no clima global:
A despeito de todo o sensacionalismo a respeito, não existe qualquer evidência física observada no mundo real que permita demonstrar que as mudanças climáticas globais, ocorridas desde a revolução industrial do século XVIII, sejam anômalas em relação às ocorridas anteriormente, no passado histórico e geológico – anomalias que, se ocorressem, caracterizariam a influência humana.
Todos os prognósticos que indicam elevações exageradas das temperaturas e dos níveis do mar, nas décadas vindouras, além de outros efeitos negativos atribuídos ao lançamento de compostos de carbono de origem humana (antropogênicos) na atmosfera, baseiam-se em projeções de modelos matemáticos, que constituem apenas simplificações limitadas do sistema climático – e, portanto, não deveriam ser usados para fundamentar políticas públicas e estratégias de longo alcance e com grandes impactos socioeconômicos de âmbito global.
A influência humana no clima restringe-se às cidades e seus entornos, em situações específicas de calmarias, sendo estes efeitos bastante conhecidos, mas sem influência em escala planetária.
Para que a ação humana no clima global ficasse demonstrada, seria preciso que, nos últimos dois séculos, estivessem ocorrendo níveis inusitadamente altos de temperaturas e níveis do mar e, principalmente, que as suas taxas de variação (gradientes) fossem superiores às verificadas anteriormente.
O relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) registra que, no período 1850-2000, as temperaturas aumentaram 0,74°C, e que, entre 1870 e 2000, os níveis do mar subiram 0,2 m.
Ora, ao longo do Holoceno, a época geológica correspondente aos últimos 12.000 anos em que a civilização tem existido, houve diversos períodos com temperaturas mais altas que as atuais. No Holoceno Médio, há 5.000-6.000 anos, as temperaturas médias chegaram a ser 2-3°C superiores às atuais, enquanto os níveis do mar atingiam até 3 metros acima do atual. Igualmente, nos períodos quentes conhecidos como Minoano (1500-1200 a.C.), Romano (séc. VI a.C.-V d.C.) e Medieval (séc. X-XIII d.C.), as temperaturas atingiram mais de 1°C acima das atuais.
Quanto às taxas de variação desses indicadores, não se observa qualquer aceleração anormal delas nos últimos dois séculos. Ao contrário, nos últimos 20.000 anos, desde o início do degelo da última glaciação, houve períodos em que as variações de temperaturas e níveis do mar chegaram a ser uma ordem de grandeza mais rápidas que as verificadas desde o século XIX.
Entre 12.900 e 11.600 anos atrás, no período frio denominado Dryas Recente, as temperaturas caíram cerca de 8°C em menos de 50 anos e, ao término dele, voltaram a subir na mesma proporção, em pouco mais de meio século.
Quanto ao nível do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atrás, o que equivale a uma taxa média de 1 metro por século, suficiente para impactar visualmente as gerações sucessivas das populações que habitavam as margens continentais. No período entre 14.650 e 14.300 anos atrás, a elevação foi ainda mais rápida, atingindo cerca de 14 metros em apenas 350 anos – equivalente a 4 m por século.
Por conseguinte, as variações observadas no período da industrialização se enquadram, com muita folga, dentro da faixa de oscilações naturais do clima e, portanto, não podem ser atribuídas ao uso dos combustíveis fósseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.
Tais dados representam apenas uma ínfima fração das evidências proporcionadas por, literalmente, milhares de estudos realizados em todos os continentes, por cientistas de dezenas de países, devidamente publicados na literatura científica internacional. Desafortunadamente, é raro que algum destes estudos ganhe repercussão na mídia, quase sempre mais inclinada à promoção de um alarmismo sensacionalista e desorientador.
2) A hipótese “antropogênica” é um desserviço à ciência:
A boa prática científica pressupõe a busca permanente de uma convergência entre hipóteses e evidências. Como a hipótese do aquecimento global antropogênico (AGA) não se fundamenta em evidências físicas observadas, a insistência na sua preservação representa um grande desserviço à ciência e à sua necessária colocação a serviço do progresso da humanidade.
A história registra numerosos exemplos dos efeitos nefastos do atrelamento da ciência a ideologias e outros interesses restritos. Nos países da antiga URSS, as ciências biológicas e agrícolas ainda se ressentem das consequências do atraso de décadas provocado pela sua subordinação aos ditames e à truculência de Trofim D. Lysenko, apoiado pelo ditador Josef Stálin e seus sucessores imediatos, que rejeitava a genética, mesmo diante dos avanços obtidos por cientistas de todo o mundo, inclusive na própria URSS, por considerá-la uma ciência “burguesa e antirrevolucionária”.
O empenho na imposição do AGA, sem as devidas evidências, equivale a uma versão atual do “lysenkoísmo”, que tem custado caro à humanidade, em recursos humanos, técnicos e econômicos desperdiçados com um problema inexistente.
Ademais, ao conferir ao dióxido de carbono (CO2) e outros gases produzidos pelas atividades humanas o papel de principais protagonistas da dinâmica climática, a hipótese do AGA simplifica e distorce um processo extremamente complexo, no qual interagem fatores astrofísicos, atmosféricos, geológicos, geomorfológicos, oceânicos e biológicos, que a ciência apenas começa a entender em sua abrangência.
Um exemplo dos riscos dessa simplificação é a possibilidade real de que o período até a década de 2030 experimente um considerável resfriamento, em vez de aquecimento, devido ao efeito combinado de um período de baixa atividade solar e de uma fase de resfriamento do oceano Pacífico (Oscilação Decadal do Pacífico, ODP), em um cenário semelhante ao verificado entre 1947-1976. Vale observar que, naquele intervalo, o Brasil experimentou uma redução de 10-30% nas chuvas, o que acarretou problemas de abastecimento de água e geração elétrica, além de um aumento das geadas fortes, que muito contribuíram para erradicar o café no Paraná. Se tais condições se repetirem, o País poderá ter sérios problemas, inclusive, nas áreas de expansão da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte e na geração hidrelétrica (particularmente, considerando a proliferação de reservatórios “a fio d'água”,impostos pelas restrições ambientais).
A propósito, o decantado limite de 2°C para a elevação das temperaturas, que, supostamente, não poderia ser superado e tem justificado todas as restrições propostas para os combustíveis fósseis, também não tem qualquer base científica: trata-se de uma criação “política” do físico Hans-Joachim Schellnhuber, assessor científico do governo alemão, como admitido por ele próprio, em uma entrevista à revista Der Spiegel (17/10/2010).
3) O alarmismo climático é contraproducente:
O alarmismo que tem caracterizado as discussões sobre as mudanças climáticas é extremamente prejudicial à atitude correta necessária frente a elas, que deve ser orientada pelo bom senso e pelo conceito de resiliência, em lugar de submeter as sociedades a restrições tecnológicas e econômicas absolutamente desnecessárias.
No caso, resiliência significa a flexibilidade das condições físicas de sobrevivência e funcionamento das sociedades, além da capacidade de resposta às emergências, permitindo-lhes reduzir a sua vulnerabilidade às oscilações climáticas e outros fenômenos naturais potencialmente perigosos. Tais requisitos incluem, por exemplo, a redundância de fontes alimentícias (inclusive a disponibilidade de sementes geneticamente modificadas para todas as condições climáticas), capacidade de armazenamento de alimentos, infraestrutura de transportes, energia e comunicações e outros fatores.
Portanto, o caminho mais racional e eficiente para aumentar a resiliência da humanidade, diante das mudanças climáticas inevitáveis, é a elevação geral dos seus níveis de desenvolvimento e progresso aos patamares permitidos pela ciência e pela tecnologia modernas. Além disso, o alarmismo desvia as atenções das emergências e prioridades reais. Um exemplo é a indisponibilidade de sistemas de saneamento básico para mais da metade da população mundial, cujas consequências constituem, de longe, o principal problema ambiental do planeta.
Outro é a falta de acesso à eletricidade, que atinge mais de 1,5 bilhão de pessoas, principalmente, na Ásia, África e América Latina.
No Brasil, sem mencionar o déficit de saneamento, grande parte dos recursos que têm sido alocados a programas vinculados às mudanças climáticas, segundo o enfoque da redução das emissões de carbono, teria uma destinação mais útil à sociedade se fossem empregados na correção de deficiências reais, como: a falta de um satélite meteorológico próprio (de que dispõem países como a China e a Índia); a ampliação e melhor distribuição territorial da rede de estações meteorológicas, inferior aos padrões recomendados pela Organização Meteorológica Mundial, para um território com as dimensões do brasileiro; o aumento do número de radares meteorológicos e a sua interligação aos sistemas de defesa civil; a consolidação de uma base nacional de dados climatológicos, agrupando os dados de todas as estações meteorológicas do País, muitos dos quais sequer foram digitalizados.
4) A “descarbonização” da economia é desnecessária e economicamente deletéria:
Uma vez que as emissões antropogênicas de carbono não provocam impactos verificáveis no clima global, toda a agenda da”descarbonização” da economia, ou “economia de baixo carbono”, se torna desnecessária e contraproducente – sendo, na verdade, uma pseudo-solução para um problema inexistente. A insistência na sua preservação, por força da inércia do status quo, não implicará em qualquer efeito sobre o clima, mas tenderá a aprofundar os seus numerosos impactos negativos.
O principal deles é o encarecimento desnecessário das tarifas de energia e de uma série de atividades econômicas, em razão de: a) os pesados subsídios concedidos à exploração de fontes energéticas de baixa eficiência, como a eólica e solar – ademais, inaptas para a geração elétrica de base (e já em retração na União Europeia, que investiu fortemente nelas); b) a imposição de cotas e taxas vinculadas às emissões de carbono, como fizeram a Austrália, sob grande rejeição popular, e a União Europeia, para viabilizar o seu mercado de créditos de carbono; c) a imposição de medidas de captura e sequestro de carbono (CCS) a várias atividades.
Os principais beneficiários de tais medidas têm sido os fornecedores de equipamentos e serviços de CCS e os participantes dos intrinsecamente inúteis mercados de carbono, que não têm qualquer fundamento econômico real e se sustentam tão somente em uma demanda artificial criada sobre uma necessidade inexistente. Vale acrescentar que tais mercados têm se prestado a toda sorte de atividades fraudulentas, inclusive, no Brasil, onde autoridades federais investigam contratos de carbono ilegais envolvendo tribos indígenas, na Amazônia, e a criação irregular de áreas de proteção ambiental para tais finalidades escusas, no estado de São Paulo.
5) É preciso uma guinada para o futuro:
Pela primeira vez na história, a humanidade detém um acervo de conhecimentos e recursos físicos, técnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma população ainda maior que a atual. Esta perspectiva viabiliza a possibilidade de se universalizar – de uma forma inteiramente sustentável – os níveis gerais de bem-estar usufruídos pelos países mais avançados, em termos de infraestrutura de água, saneamento, energia, transportes, comunicações, serviços de saúde e educação e outras conquistas da vida civilizada moderna. A despeito dos falaciosos argumentos contrários a tal perspectiva, os principais obstáculos à sua concretização, em menos de duas gerações, são mentais e políticos, e não físicos e ambientais.
Para tanto, o alarmismo ambientalista, em geral, e climático, em particular, terá que ser apeado do seu atual pedestal de privilégios imerecidos e substituído por uma estratégia que privilegie os princípios científicos, o bem comum e o bom senso.
A conferência Rio+20 poderá ser uma oportuna plataforma para essa necessária reorientação.

Kenitiro Suguio – Geólogo, Doutor em Geologia Professor Emérito do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP). Membro titular da Academia Brasileira de Ciências
Luiz Carlos Baldicero Molion – Físico, Doutor em Meteorologia e Pós-doutor em Hidrologia de Florestas Pesquisador Sênior (aposentado) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Fernando de Mello Gomide – Físico, Professor Titular (aposentado) do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Co-autor do livro Philosophy of Science: Brief History (Amazon Books, 2010, com Marcelo Samuel Berman)
José Bueno Conti – Geógrafo, Doutor em Geografia Física e Livre-docente em Climatologia. Professor Titular do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP). Autor do livro Clima e Meio Ambiente (Atual, 2011)
José Carlos Parente de Oliveira – Físico, Doutor em Física e Pós-doutor em Física da Atmosfera Professor Associado (aposentado) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)
Francisco Arthur Silva Vecchia – Engenheiro de Produção, Mestre em Arquitetura e Doutor em Geografia. Professor Associado do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (USP). Diretor do Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada (CRHEA)
Ricardo Augusto Felicio – Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia. Professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)
Antonio Jaschke Machado – Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia. Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP)
João Wagner Alencar Castro – Geólogo, Mestre em Sedimentologia e Doutor em Geomorfologia. Professor Adjunto do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Chefe do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional / UFRJ
Helena Polivanov – Geóloga, Mestra em Geologia de Engenharia e Doutora em Geologia de Engenharia e Ambiental. Professora Associada do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Gustavo Macedo de Mello Baptista – Geógrafo, Mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos e Doutor em Geologia. Professor Adjunto do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB). Autor do livro Aquecimento Global: ciência ou religião? (Hinterlândia, 2009)
Paulo Cesar Soares – Geólogo,Doutor em Ciências e Livre-docente em Estratigrafia. Professor Titular da UniversidadeFederal do Paraná (UFPR)
Gildo Magalhães dos Santos Filho – Engenheiro Eletrônico, Doutor em História Social e Livre-docente em História da Ciência e Tecnologia Professor Associado do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP)
Paulo Cesar Martins Pereira de Azevedo Branco – Geólogo, Pesquisador em Geociências (B-Sênior) do Serviço Geológico do Brasil – CPRM. Especialista em Geoprocessamento e Modelagem Espacial de Dados em Geociências
Daniela de Souza Onça – Geógrafa, Mestra e Doutora em Climatologia. Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Marcos José de Oliveira – Engenheiro Ambiental, Mestre em Engenharia Ambiental e Climatologia Aplicada. Doutorando em Geociências Aplicadas na Universidade de Brasília (UnB).
Geraldo Luís Saraiva Lino – Geólogo, coeditor do sítio Alerta em Rede. Autor do livro A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial (Capax Dei, 2009)
Maria Angélica Barreto Ramos – Geóloga, Pesquisadora em Geociências (Senior) do Serviço Geológico do Brasil – CPRM. Mestre em Geociências – Opção Geoquímica Ambiental e Especialista em Geoprocessamento eModelagem Espacial de Dados em Geociências

segunda-feira, 2 de julho de 2012

domingo, 1 de julho de 2012

A união entre Madrilhenhos e Barcelonistas torna a Espanha quase invencível, no entanto, dá gosto assistir ao melhor futebol do mundo. O Brasil deve ter a humildade de assumir que não é mais o melhor futebol do planeta. Essa Espanha, ano que vem, irá participar da Copa das Confederações no Brasil. Se cuida Mano...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sou Boca Junior, que nada, sou torcedor do bom futebol e da qualidade individual e coletiva, mas que é bom tirar sarro de Corinthiano é...Aliás que time retranqueiro esse tal de Corinthias. Meu palpite, empate e pênaltis com vitória do Boca.

sábado, 2 de junho de 2012

sábado, 10 de março de 2012

 Do jornalista Zuenir Ventura, em "O Globo" de hoje, em coluna intitulada "Aos mestres, sem carinho":

   "Por experiência própria, alguns dos países mais bem colocados no ranking de qualidade da educação — China, Coreia do Sul e Finlândia, principalmente — sabem que a isso se deve muito do seu desenvolvimento socioeconômico, sem falar no cultural.
    O Brasil, ou parte dele, parece não saber. Bastou o Ministério da Educação divulgar o novo piso salarial dos professores da rede pública, a fortuna de R$ 1.451,00, para que governadores e prefeitos protestassem e alegassem falta de recursos para adotar uma lei que já fora confirmada pelo STF.
Onze deles se deslocaram até Brasília para pressionar pela mudança do parâmetro usado nos reajustes.
Choraram miséria, falaram em nome da austeridade, mas acharam natural gastar na viagem, com passagens e diárias, o que dava para pagar um mês do novo salário de dezenas de profissionais de ensino.
O caso mais gritante é o do Rio Grande Sul, que ostenta o piso mais baixo, 791,00 (o de Roraima é R$ 2.142,00), e onde foi preciso que a Justiça obrigasse o governo a cumprir suas obrigações legais.
Como observou o colunista Carlos Brickman, o governador petista Tarso Genro, “cuja função certamente não é tão útil quanto a de um professor, recebe quase R$ 30 mil mensais, fora casa, comida e muitas mordomias”.
E parece não concordar com a opinião de seu colega de partido, o ministro Aluizio Mercadante, de que “a valorização do professor começa pelo piso”.
Por essas e outras é que quase ninguém mais quer ser docente aqui, enquanto em outros lugares acontece o contrário. Numa recente entrevista a Leonardo Cazes, o finlandês especialista em educação Pasi Sahlberg informou que “o magistério é a carreira mais popular entre os jovens do seu país”.
Não por acaso, a Finlândia ocupa o terceiro lugar no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) e o Brasil o 53 entre 65 países.
Talvez não seja coincidência também que o Distrito Federal, com o piso mais elevado (R$ 2.315,00), apresente o melhor resultado, segundo os critérios do Pisa.
É bom saber que o Brasil acaba de ser declarado a sexta economia mundial. Mas é triste constatar que em qualidade de educação estamos lá embaixo, atrás de Trinidad e Tobago, Bulgária e México.
E que uma das razões é que dedicamos aos nossos mestres pouco carinho e remuneração insuficiente. "

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Finlândia é exemplo de valorização do educadorPDFImprimirE-mail
Terceiro colocado no ranking do Pisa, receita de sucesso do país é valorização do professor e do ambiente escolar
No ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) 2009, aplicado em 65 países pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a Finlândia alcançou o 3° lugar. O país chama a atenção não só pelos bons resultados, mas por apresentar um modelo diferente dos outros líderes do ranking, China e Coreia do Sul. No lugar de toneladas de exercícios e de um ritmo frenético de estudo, na Finlândia há pouco dever de casa. A maior preocupação é com a qualidade dos professores e dos ambientes de aprendizado. Não há avaliações periódicas padronizadas de alunos e docentes, que não recebem remuneração por desempenho. E todo o sistema escolar é financiado pelo Estado.
Em seu livro, "Finnish lessons: what can the world learn from educational change in Finland?" (em uma tradução livre, Lições finlandesas: o que o mundo pode aprender com a mudança educacional na Finlândia?), Pasi Sahlberg, diretor de um centro de estudos vinculado ao Ministério da Educação do país, diz que o magistério é a carreira mais popular entre os jovens e que a transformação no Brasil deve começar pela igualdade de acesso a um ensino de qualidade.
O GLOBO: A Finlândia ocupa a 3 posição no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), entre 65 países avaliados pelo exame da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, nem sempre foi assim. Quando começou a transformação na Educação finlandesa?
PASI SAHLBERG: A grande transformação do sistema educacional finlandês começou no início da década de 1970, quando foi criado o sistema de ensino obrigatório de nove anos. Todas as crianças do país passaram a estudar em escolas públicas parecidas e de acordo com o mesmo currículo nacional.
O principal objetivo desse modelo era igualar a oportunidade de acesso a uma Educação de qualidade e aumentar o nível educacional da população. Assim, a reforma educacional não foi guiada pelo sucesso escolar e, sim, pela democratização do acesso a escolas de qualidade. Esse movimento continuou nos anos 90, com a necessidade de uma população mais preparada para o mercado de trabalho.
O GLOBO: Quais foram as bases da revolução educacional finlandesa? Quais são seus pontos fortes?
SAHLBERG: O compromisso da sociedade finlandesa pela igualdade de acesso a uma Educação de qualidade foi decisivo. A Finlândia com seus 5 milhões de habitantes não pode perder nenhum jovem. Todos precisam ter uma Educação de qualidade. Os pontos fortes do sistema finlandês são o foco nas escolas, para que elas possam ajudar as crianças a ter sucesso; Educação primária de alta qualidade, que dê uma base sólida para as etapas seguintes do aprendizado; e a formação de professores em universidades de ponta, que tornaram a profissão uma das mais populares entre os jovens finlandeses.
O GLOBO: No Brasil, muitas políticas públicas sofrem com a falta de continuidade. Isso acontece na Finlândia? O que fazer para garantir a continuidade?
SAHLBERG: A Finlândia manteve uma política pública estável desde a década de 70. Diferentes governos nunca tocaram nos princípios que nortearam a reforma, apenas fizeram um ajuste fino em alguns pontos. Essa ideia de uma escola pública de qualidade para todos os finlandeses foi um consenso nacional construído desde a Segunda Guerra Mundial. É o que no livro eu chamo de "sonho finlandês".
O GLOBO: O mundo parece buscar uma fórmula mágica para a Educação. Existe uma fórmula válida para todos?
SAHLBERG: Não, não existe nenhuma fórmula mágica nem um milagre secreto na Educaçãofinlandesa. O que fizemos melhor do que outros países foi entender qual é a essência do bom ensino e do bom aprendizado. As crianças devem ser vistas como indivíduos que têm diferentes necessidades e interesses na escola. Ensinar deve ser uma profissão inspiradora com um grande propósito de fazer a diferença na vida dos jovens.
Infelizmente, esses princípios básicos deram lugar a políticas regidas pelo mercado em vários países. Essa lógica de testar estudantes e professores direcionou os currículos e aumentou o tédio em milhões de salas de aula. A fórmula para uma reforma da Educação em muitos países é parar de fazer essas coisas sem sentido e entender o que é importante na Educação.
O GLOBO: O que foi feito na Finlândia e que poderia ser reproduzido em outros países em desenvolvimento, como o Brasil?
SAHLBERG: A pergunta deve ser o que é possível aprender com a experiência finlandesa, não reproduzir. Primeiro, a experiência da Finlândia mostrou que é possível construir um modelo alternativo àquele que predomina nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países. Mostramos aqui que reformas guiadas pelo mercado, com foco em competição e privatizações não são a melhor maneira de melhorar a qualidade e a equidade na Educação.
Segundo, é importante focar no bem-estar das crianças e no aprendizado da primeira infância. Só saudáveis e felizes elas aprenderão bem. Terceiro, a Finlândia mostrou que igualdade de oportunidades também produz um aumento na qualidade do aprendizado. É preciso que o Brasil combata essa desigualdade de acesso. Só um plano de longo prazo para a Educação e compromisso político possibilitarão que os resultados sejam alcançados.
O GLOBO: Os professores ocupam um papel importante no sistema finlandês. Como prepará-los bem? Um salário atrativo é importante?
SAHLBERG: Professores são profissionais de alto nível, como médicos ou economistas. Eles precisam de uma sólida formação teórica e treinamento prático. Em todos os sistemas educacionais de sucesso, professores são formados em universidades de excelência e possuem mestrado.
O salário dos professores deve estar no mesmo patamar de outras profissões com o mesmo nível de formação no mercado de trabalho. Também é importante que professores tenham um plano de carreira, com perspectivas de crescimento e desenvolvimento.
O GLOBO: No Brasil, poucos jovens são atraídos pelo magistério. A carreira atrai muitos jovens na Finlândia?
SAHLBERG: O magistério é uma das profissões mais populares entre os jovens finlandeses. Todo ano, cerca de um a cada cinco alunos que terminam o ensino médio tem a carreira como primeira opção. Há dez vezes mais candidatos para programas de formação de docentes para Educação infantil do que vagas nas universidades.
A Finlândia tem o privilégio de poder controlar a qualidade dos professores na entrada e depois garantir que só os melhores e mais comprometidos serão aceitos nessa profissão nobre.
O GLOBO: A inclusão das novas tecnologias nas salas de aula vem sendo muito debatida. Como você vê esse processo? Como isso é feito na Finlândia?
SAHLBERG: Tecnologia é parte das nossas vidas e é usada nas escolas finlandesas. Professores na Finlândia usam tecnologia para ensinar de maneiras muito diferentes. Alguns, a utilizam muito e outros raramente. Aqui a tecnologia é uma ferramenta, mas o foco continua sendo na pedagogia entre pessoas, sem tecnologia. A tecnologia não deve guiar o desenvolvimento educacional e, sim, ser uma ferramenta como várias outras.
O GLOBO: Retomando o título do seu livro, quais são, afinal, as principais lições do sistema deEducação finlandês?
SAHLBERG: A mais importante das lições é que há uma alternativa para se chegar ao sucesso prometido por reformas guiadas pelo mercado. A Finlândia é o antídoto a este movimento que impõe provas padronizadas, privatização de escolas públicas e remunera os professores com base em avaliações de desempenho que se tornou típico de diversos sistemas educacionais pelo mundo. (O GLOBO, 27/02/12)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Governadores x professores
Na posse de Maria das Graças Foster na presidência da Petrobras, ontem, os governadores Sérgio Cabral (RJ), Jaques Wagner (BA), Antonio Anastasia (MG), Cid Gomes (CE) e Renato Casagrande (ES) pediram ao presidente da Câmara, Marco Maia, para colocar em votação projeto que reduz o piso nacional dos professores. O reajuste em 2012 será de 22%. Os governadores querem que o parâmetro seja o INPC, que daria um aumento de 6%.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Este texto fabuloso é do colunista Cao Hering...vale a pena

“Universotário”

Juro pra você, caro e paciente leitor, vez ou outra paro, apalermado, tentando compreender o estrago que a indústria fonográfica fez no gosto musical dos brasileiros. Minha aversão a esse ultraje à escala cromática tem origem: o forte divisor nos costumes liderado por uma turma que ousou olhar a cultura, sobretudo a música, de ponta-cabeça e agora chega aos 70 anos. Alguns até ultrapassaram a risca, outros já percorrem estradas desconhecidas. A lição é antiga, faz uns anos falei dela aqui. Quando vivia o olho dessa revolução, jovem e ingênuo, um igualmente jovem e competentíssimo professor de português nos mostrou porque, naquele tsunami (a palavra ainda não existia) de criatividade musical, uma parcela da população insistia em consumir em doses significativas a música caipira, de rimas pobres e óbvias construções melodramáticas.

“Passa pelo universo de cada um”, disse o mestre. E naquela aula, parafraseando Geraldo Vandré, um genial compositor daquele tempo de mudanças, “as visões se clarearam”. Facilíssimo: os diferentes universos aos quais cada um de nós pertence explicam não só a questão do gosto musical, mas os eventuais impasses ao apresentarmos um ponto de vista. O cara com quem você interage não precisa vir de um universo totalmente estranho ao seu, basta haver bagagens desproporcionais de conhecimento e vivência e não haverá diabo no mundo que faça um gostar de Ai Se Eu Te Pego e o outro de Águas de Março...

Minha intriga é com quem tomou os lugares de Caetano, Gil, Tom, Elis, Geraldo, Baden, João, Rita, Chico, Francis, Vinicius, Adriana, Gal, Bethânia, Menescal, Lupicínio, Nara, Taiguara, Raul, Antônio Carlos, Jocafi, Sá, Guarabyra, Martinho, Paulinho e mais uma infinidade de virtuoses da MPB (falta muito nego bom nessa lista...) quando abriram naturalmente seus espaços para a turma que vinha chegando. Aquela célula sertaneja, servindo a um público sem interesse ou condição intelectual para acessar os movimentos de ruptura, de repente viu-se à vontade para crescer, pois a expectativa por mais erudição – ou mesmo uma manutenção – entre os brasileiros com a chegada de novas e ágeis tecnologias, virou triste regressão e o mau gosto tomou conta de vez. É de chorar em caipira.

Exceções à parte, o que a Educação fez com o Brasil nas últimas décadas? Desde salários “ó!”, professores “hã?”, alunos “aê, profe, vai encará!?” e curiosidades como o sistema que considera “traumática” a reprovação, também no tocante às artes fomos adquirindo gradativamente um insaciável paladar de égua. Meu caro jovem, se consegui segurar você até aqui é bom sinal. Topa submeter-se a uma experiência bem fácil? Vá ao YouTube e ache Construção de Chico Buarque. Aí procure ficar a sós e apague a luz, cale a voz, folgue os nós da gravata, dos sapatos, esqueça a data (Opa! Isso já é Gilberto Gil...) e assimile estrofe por estrofe dessa bela composição – uma formidável catadupa de proparoxítonas com instigante crítica social adaptável a qualquer tempo – que a moçada das baladas da minha época fez chegar aos primeiros lugares. Mais: muitos “hits” eram assim.

Mas a galera achinelou-se e as gravadoras – pragmáticas e boas no mimetismo – fizeram a rápida e providencial leitura ótica do mercado. Nada de pérolas aos porcos. Serviram-lhes a lavagem mesmo, é mais barata e muito bem aceita. Por momentos cheguei a acreditar no famoso ciclo, pelo qual – como a moda, a gastronomia, o cinema, etc. – um dia reviveríamos a música de qualidade. Mas ouvi por aí que Michel Teló vai ser recebido pelos “heróis” do BBB.

E alguns ainda esperam o Apocalipse só lá pro fim do ano...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Golpe SBT 30 anos

Acabei de receber um SMS dizendo que fui sorteado e ganhei um carro 0 Km no valor de 100 mil reais...deveria ligar para um celular..observei o DDD e descobri que seria de fortaleza...estou rindo até agora.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Blog da Marta Vanelli: REAJUSTE DO PISO NACIONAL

Blog da Marta Vanelli: REAJUSTE DO PISO NACIONAL: Em reunião realizada hoje, dia 13 de dezembro, com a presença da Ministra Ideli Salvatti, Ministro Gilberto Carvalho e o Secretário Especia...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Eu já sabia

 O secretário adjunto da Educação, Eduardo Deschamps, apresentou a versão oficial sobre a matéria. Disse que todos os professores terão aumento nos salários de 8% no mês de janeiro. Incidirá sobre o piso e sobre todos os vencimentos na carreira.
No primeiro semestre do próximo ano, o governo fará uma avaliação sobre o novo piso salarial do magistério. Projeto de lei 3776, que trata da matéria tramita na Câmara Federal. Passou por todas as comissões, faltando apenas a de finanças. Definirá se o piso será reajustado com base no INPC ou índice do Fundeb. A vigência poderá ficar para maio. Assim, naquele mês serão feitos os cálculos e atualizados os salários dentro do novo piso.
A Comissão da Educação volta a se reunir hoje para estudar aplicação do piso na carreira do magistério.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Do fabuloso Jornalista Lúcio de Castro

“Polícia é polícia, bandido é bandido. Não devem se misturar, igual água e azeite.” 


Lúcio Flávio Vilar Lírio - bandido.






Com a famosa frase do meu xará menos ortodoxo começava aqui nessa trincheirinha um texto chamado “O bonde do Nem e a impunidade da cartolagem tem muito em comum”,(23/8/10). Na véspera um fuzuê sacudiu meu Rio, com polícia e o bonde do Nem envolvidos, e o traficante “conseguindo escapar”. Na época, como mostra o título, fiz uma analogia entre a situação e os nossos cartolas, que sempre “conseguem escapar” da polícia. 


Falava da mineiragem e do arrego, termos para tratarmos sobre extorsão, suborno, etc. Um ano depois, o tal bonde do Nem é notícia de novo nas páginas do mundo inteiro. Assim como a barulhenta “ocupação da Rocinha” e a UPP. (Falamos aqui também sobre UPPs em 26/11/10, em “São Sebastião ainda olha por nós e algumas considerações”). Na ocasião, questionar a ação e as UPPs era como heresia. Assim como hoje, foi preciso proteger a cabeça das pedras. As pessoas adoram ser enganadas, é um fato. 


Pois como entender tamanho silêncio para algumas coisas evidentes demais da ação da última semana? Tanto ufanismo e gritos de vitória, tanta pirotecnia, deixando a óbvia necessidade de que existe muito a se apurar na operação para trás não merece alguma dúvida na cabeça das pessoas pelo menos? O mesmo tom de vitória e ufanismo da invasão do Alemão, mesmo com tantos bandidos fugindo e com as notícias e óbvia constatação de que o tráfico prossegue nas favelas com UPP, não merecia agora um pouco mais de consciência e análise crítica? 


Passemos por alguns fatos. Um pouco de análise e um pouco de informação, apuradas aqui e ali...Durante uma tarde pacata, um bonde de traficantes escoltados pela polícia (sim, isso mesmo!) é interceptado no bairro da Gávea. A polícia federal, monitorando um bonde, descobre que cinco policiais civis e militares faziam a segurança de traficantes que deixavam a Rocinha. Efetua a prisão e acima de tudo cataloga um “modus operandi” para a fuga dos bandidos acuados na Rocinha. Mais uma vez uma maneira de agir, como já acontecera no Alemão parece em curso: fuga de bandidos com escolta de alguns policiais. 


Na mesma noite, a mesma polícia federal intercepta outro comboio, como o primeiro: de policiais militares e um carro. Um carro que furou o cerco das revistas na Rocinha, sob a alegação dos policiais, justificando que não revistaram ali porque “iriam conduzir o veículo a uma delegacia”. O tal comboio segue. Novamente, como na parte da tarde, um efetivo da polícia federal intercepta o tal comboio. Ao abrirem a mala, lá está o bandido Nem. O curioso é que nem mesmo diante da oferta de suborno, segundo a versão de quem fazia parte do comboio, os policiais que estavam antes da chegada da PF tiveram a curiosidade de abrir a mala. Claro que, diante de tal oferta de suborno, já não havia porque respeitar qualquer imunidade diplomática. Se queriam subornar, era porque algo errado existia. Mas só a PF teve a curiosidade de abrir a mala.


E ninguém questiona tal versão? Foi preciso, assim como de tarde, que um contingente da PF chegasse para que enfim existisse a curiosidade de abrir a mala. Mas e a tal imunidade? Já não valia? Por que os outros não fizeram o mesmo antes? 


São apenas perguntas, que gostaria de ver respondidas. Caso respondidas, aí sim aceitaria a celebração de tais policiais como heróis, como tem sido feito desde então. O pior é ver jornalistas e veículos respeitados celebrando sem fazer as básicas perguntas. Repito: são apenas perguntas, mas que precisam ser feitas. E respondidas. 




E mesmo o secretário Beltrame, tão festejado, oxalá esteja exigindo investigação de tal operação. Jogar tudo para baixo do tapete será se satisfazer apenas com a pirotecnia. E se satisfazer apenas com a pirotecnia, sem intenção de mudar a polícia, ponto central da questão de segurança no estado e no Brasil (falaremos do social mais adiante), será mais uma vez adiar o problema, que voltará na frente. Que o mesmo Sérgio Cabral, sumido quando o assunto é enchente ou bonde de Santa Teresa apareça insistentemente para colher os louros da glória, dá pra entender. Sabemos que é assim. Que a sociedade ache normal que isso aconteça sem questionamentos vão outros quinhentos. 


Melhor fez Luis Eduardo Soares, tantas vezes citado aqui. Na véspera da invasão da Rocinha postou:


“Preparem-se para imagens de guerra sem guerra. Depois de sustentar por décadas o tráfico na Rocinha,as polícias rompem a sociedade e dão show. Não haverá confronto na Rocinha. Aparato de guerra é absurdo.Efeito especial para show midiático-político. Soldados escorregarão no óleo e só.” 


Soares acertou palavra por palavra. Mas, como sabemos, as pessoas adoram ser enganadas!


O ponto principal aqui não é a fuga, o bonde, a prisão, a escolta. O ponto principal é entendermos o cerne da questão. È tentarmos identificar, por trás da fumaça pirotécnica que ainda faz cortina, o que está por trás de tudo e o que efetivamente deveria ser feito para mudar. Só existe um caminho para mudar o tal estado de coisas, além das políticas sociais de efetiva integração das partes menos favorecidas (este aqui um ponto crucial, sem o qual obviamente nada muda): uma mudança e limpeza radical das forças de segurança, com vontade política para cortar na carne. Sem o qual, nada adiantará.


A Itália ensinou o caminho com algum êxito em condições muito mais adversas: na Operação Mãos Limpas, todo servidor do estado, do mais alto ao mais baixo, do juiz ao policial, tem sua vida investigada, com evolução patrimonial investigada. Feito isso, está feita a limpeza e é possível começarmos a pensar em mudança na política de segurança, aliada, repetindo porque sempre vale, a junção com as medidas de cunho social. Se não tem como explicar evolução patrimonial ou sinais de enriquecimento incompatíveis com renda, está fora, xilindró. 


Do governador ao guarda da esquina, passando por legislativo, executivo e judiciário. Desarmando o braço do crime infiltrado no estado, esta sim questão maior. Senão, seguiremos com a pirotecnia e o estado aparelhado, milícias funcionando, os Freixos da vida obrigados a deixar o país. E o que é pior: o risco grave de boas iniciativas como a das UPPs se transformarem em tráfico de drogas estatizado. Sem o poderio militar na mão dos bandidos, mas com o tráfico agindo sob a tutela do estado, como já são algumas áreas milicianas. E se não abrirmos o olho, nas UPPs. Como as pessoas adoram ser enganadas, é bem provável que aconteça, já que no jogo do faz de conta, já estarão satisfeitas com a pirotecnia atual. Por enquanto, nenhuma palavra sobre qualquer ação contra áreas dominadas por milícias...


Vale para o Rio e para todo o país. Afinal, como as pessoas também adoram ser enganadas em qualquer lugar, adoraram por anos acreditar que só existia violência no Rio.


Ps1- Este texto olha com mais atenção para a operação policial por uma razão muito simples, ainda que o autor saiba e repita mil vezes que os aspectos sociais da questão sejam muito mais relevantes: como jornalista e amante do ofício, dói o tom espetaculoso e pirotécnico da cobertura, e a total ausência de alguns questionamentos e apurações básicas. Acredito mesmo que alguns bons repórteres da área, pródiga em excelentes profissionais, saibam dos verdadeiros detalhes da operação. Dois ou três telefonemas são suficientes para tal, asseguro. Mas que não possam contar tudo por duas razões. Uma legítima, que realmente inviabiliza: a falta de ter como provar ainda que tenham a informação. E a outra a imensa vontade de alguns veículos em fazer pirotecnia, além dos imensos interesses no Rio da Copa e das Olimpíadas. Sobre os aspectos sociais do episódio, aqui postos em grau menor do que mereciam pela explicação acima, recomendo a mais uma vez imperdível coluna de Francisco Bosco no jornal O Globo. (É, alguns fogem da mesmície...). Que mais uma vez vai se confirmando como o grande colunista da nova geração. 


Ps2- será que você está entre os que acreditam que dessa vez “houve uma ação coordenada entre as polícias”, como tem sido dito e publicado acriticamente por alguns? Ou que, ao contrário das outras vezes, em que os bandidos fugiam com escolta, existiu algo novo que fugiu ao controle dos que faziam a operação antes? Mas para que não fique sendo uma exaltação a quem também deve satisfação, falta a Polícia Federal mostrar que tem vontade política de ir adiante, e investigar a tal operação, divulgar as respostas para tantas perguntas que temos sobre o tal comboio. Se sentar em cima, também será cúmplice. E aliás, vale para as investigações sobre Ricardo Teixeira. Esperamos que não estejam acomodadas. As primeiras declarações da entidade sobre o brilhante trabalho do Procurador Marcelo Freire não são animadoras e indicam sonolenta pizza a caminho ...Ih, mas isso é outra história. Ainda falaremos aqui!




Ps3- A Procuradoria da República concentra hoje algumas das últimas esperanças de gente séria e comprometida efetivamente com mudanças, investigações sérias...Claro que não são todos. Mas alguns jovens fazem trabalhos espetaculares. Marcelo Freire, citado acima e sobre quem já falei no ar algumas vezes, faz um trabalho excepcional. É dele a responsabilidade pelas investigações sobre a CBF e Ricardo Teixeira. Um outro jovem valor do Ministério Público Federal faz trabalho valente e brilhante também: Fábio Seghese. 


Foi ele que postou hoje a enigmática frase: “Conexão Maricá-Rocinha. Circula esse roteiro. Documentário ou ficção?”.


Tem tudo a ver com informações colhidas aqui e ali sobre o comboio que seguia da Rocinha com direito a escolta vip, interceptado pela PF. Nos órgãos de segurança e inteligência, o tal roteiro já circula com muitas informações sobre o comboio. O tempo pode resolver o enigma. Ou jogá-lo para baixo do tapete. O mais provável. O que importa? As pessoas querem mesmo aplaudir a pirotecnia.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Retirado do Blog da Marta Vanelli


ANÁLISE DA PROPOSTA SALARIAL ANUNCIADA PELO GOVERNO


A proposta salarial anunciada pelo Governador, tem seus pontos positivos quando se propõe a conceder os mesmos percentuais, a título de revisão salarial, à todos/as os/as servidores públicos. Isso demonstra uma iniciativa de tratamento igualitário e não mais de acordo com a força política de cada secretário e o aumento por secretarias. Outro fato que merece ser destacado é a proposta de exterminar de vez a política de abonos, prêmios, e outras formas que desrespeitam a isonomia salarial, tanto combatida por nós durante muitos anos.

A proposta é para todos, no entanto nós profissionais da educação, temos uma lei federal (do Piso) que também precisa ser respeitada e está escrito pelo governo durante a greve parte de seu cumprimento.

Com a proposta anunciada o que cabe aos profissionais da educação:
a) O aumento de 4% destinado a todos/as os/as servidores/as em janeiro.
b) A diferença entre 4% e o aumento do Piso Nacional (que deve ser de 22%, ficando a diferença de 18%) em janeiro ou no máximo em maio, caso o projeto de lei que muda a data de janeiro para maio seja aprovado pelo Congresso Nacional este ano.
c) O restabelecimento das gratificações de todos os profissionais do magistério que varia de 5 a 10% em janeiro.
d) O valor do vale alimentação de R$ 10,00 a partir de fevereiro (janeiro é mês de férias) e de R$ 12,00 a partir de julho.
e) O aumento de 4% de maio, creio que o governo vai descontar da diferença do Piso e os profissionais da educação não vão receber, mas também podemos lutar para receber este valor, uma vez que todos receberão.

Espero ainda que em 2012 seja restabelecida parte da tabela salarial, no que tange a diferença entre profissionais com formação de magistério e nível superior e demais graduações.

Sobre o mês da data-base penso que os sindicatos deveriam propor o mês de abril ou maio, pois em janeiro por ser o mês de férias da grande maioria dos servidores não teremos poder de mobilização, condição fundamental para qualquer mesa de negociação, isso se o governo tiver a intenção de abrir negociação com os servidores públicos.
Meu comentário:
Espero que você esteja certa, mas na minha avaliação, o aumento do Piso em janeiro ou maio será substituído pelo reajuste de 4 % apenas. O que iria onerar a folha com o reajuste nacional, foi distribuido aos servidores. Bom espero estar errado.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Proposta do governo para o Magistério

É a seguinte a proposta do governo estadual sobre o novo Plano de Carreira, segundo documento divulgado pelo Sinte:
"Da Estrutura da Carreira:- carreira com 4 níveis: Nível Especial I (profissionais de nível médio), Nível Especial II (profissionais com licenciatura curta), Nível I (profissionais com licenciatura plena) e Nível II (profissionais com pós-graduação em nível de especialização) – hoje são 12 níveis;
- cada nível terá 8 referências: A, B, C, D, E ,F, G, H (verificar o número de referências de tal modo que o profissional atinja o final da carreira próximo do final do período de trabalho) – hoje é de 7 referências- a diferença entre cada referência fica em x % (a definir de acordo com impacto financeiro e limites legais) – era de 2,75% e hoje varia de 0,8% a 2,5%- a diferença entre o nível de magistério/médio e nível superior será de no mínimo xx% (definir de acordo com impacto financeiro e limites legais) – era de 63% e hoje é de 16,25%.- a diferença entre o nível superior e o nível de especialização será de xx% - era de 27,65% e hoje é de 24,88%.- os atuais profissionais com nível médio ou licenciatura curta que comprovarem nível superior de Licenciatura Plena, serão automaticamente promovidos ao Nível I na referência correspondente à que se encontrar no nível anterior.OBSERVAÇÃO: a carreira anterior possuía 84 referências (12 níveis x 7 referências cada) com possibilidade de progressão a cada 3 anos de 2 referências (um por tempo de serviço e outro por curso de aperfeiçoamento).
Da Progressão:,- a progressão entre referências de um mesmo nível se dará a cada 5 anos;- a progressão vertical se dará a qualquer tempo quando o profissional adquirir nova habilitação;- o percentual de progressão horizontal até o final da carreira no nível de formação será de no mínimo xx% (a definir);- a progressão entre referências se dará através do alcance de pontuação mínima considerando horas de aperfeiçoamento, prova de conhecimento e índice que levará em consideração a assiduidade do profissional.
Das Gratificações:
- mantida gratificação por tempo de serviço na forma de triênio de 3% a cada 3 anos de dedicação ao sistema, não podendo ultrapassar a 36%;- serão concedidas gratificações através de edital próprio para titulação de mestrado e doutorado sobre o vencimento base do profissional mediante vaga na rede estadual a ser definida em lei;- serão mantidas as gratificações por regência de classe de 40% (séries inicias) e 25% (séries finais e ensino médio) sobre o vencimento base do profissional;- mantida gratificação de desempenho de atividade especializada de 25%;- gratificações pela responsabilidade e disponibilidade exigidas pelas atividades dos cargos para diretores, AEs, ATPs e demais cargos na escola serão definidas em legislação específica de estrutura das unidades escolares e SED;- será concedida gratificação anual pelo desempenho da unidade escolar considerando a evolução de indicadores de desempenho dos alunos e da escola, bem como indicadores individuais do corpo docente (assiduidade) a ser definida em contrato de gestão com a unidade escolar e a ser paga em regulamentação própria.
Das Licenças:
- Licença prêmio de 90 dias a cada 5 anos – mantido o atual formato;
Da Jornada:
- Conforme define a lei do piso a jornada é definida por horas relógio e não horas aula;- A jornada integral será de 40 horas relógio semanais, permitindo-se proporcionalidade de carga horária de 30, 20 e 10hs relógio com atividade em sala de aula de 32, 24, 16 e 8 horas-aula (45 minutos em sala de aula ou atividades curriculares);- desta forma está garantido um percentual de 40% de horas-atividade a serem cumpridas em atividades de apoio e preparação de aulas na escola.- permanece o pagamento de aulas excedentes até o máximo de mais 8 horas-aula semanais no atuais percentuais pagos.
Dos Cargos:
O quadro do magistério será composto dos cargos de provimento efetivo nos seguintes grupos ocupacionais: Grupo docente: professores; Grupo de apoio direto à docência: especialista em assuntos educacionais e ATP; Grupo de apoio técnico-administrativo: consultor educacional, AE e bibliotecário escolar
ATP: assume as funções de orientação aos profissionais em estágio probatório na Escola."

quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Secretaria de Estado da Educação divulga Calendário EscolarPDFImprimirE-mail
Por Suely de Aguiar   
Qui, 27 de Outubro de 2011 16:53
Em função do ano letivo de 2011 ter sido atípico, em decorrência da greve dos professores, a Secretaria de Estado da Educação (SED) estipulou três datas para o encerramento das aulas na rede pública estadual: 20 e 30 de dezembro e 6 de janeiro de 2012. As datas seguem critérios de acordo com os dias que as escolas ficaram sem aulas. 
"Com a reorganização do calendário escolar deste ano, estamos procurando amenizar e reparar as perdas, sobretudo, visando proporcionar aos estudantes o direito que lhes é garantido de 200 dias de efetivo trabalho escolar", esclarece a diretora de Educação Básica da SED, Gilda Mara Marcondes Penha.
A matrícula para 2012 está prevista para novembro e ainda em fase de elaboração dos dias destinados para matrícula dos novos alunos e a rematrícula de quem já estuda na rede pública estadual.
No próximo ano as aulas devem iniciar no dia 14 de fevereiro, mas os professores deverão estar na escola no dia 8. A data foi acordada com a Federação Catarinense dos Municípios (Fecam), em função do transporte escolar.
Orientações repassadas às Gerências Regionais de Educação e às escolas
Nas unidades escolares que não tiveram prejuízo de dias letivos por motivo de greve, os conselhos de classe seguem agenda estabelecida pela própria escola no início deste ano. O término das aulas e demais atividades escolares será até 20 de dezembro. Vale ressaltar que são escolas onde professores a alunos tiveram atividades normais.
As escolas que paralisaram até 21 dias letivos por motivo de greve fizeram reposição de dez dias letivos durante o recesso escolar, que ocorreu de 18 a 29 de julho e no feriado de 7 de setembro. Ainda terão de repor as aulas nos pontos facultativos desta sexta-feira (28) e no do dia 15 de novembro.
Além disso, terão oito sábados (a definir) para a entrega de boletins, realização de conselho de classe participativo ou organização de atividades científico-culturais. O encerramento do ano letivo deverá ocorrer até 30 de dezembro.
Nas escolas onde a paralisação aconteceu entre 37 e 42 dias letivos, também em função da greve, o início do ano letivo está previsto para 6 de janeiro. Também reposeram aulas no recesso de julho e no dia 7 de setembro e vão repor nos próximos pontos facultativos (28/10 e 15/11). Terão oito sábados para entregas de boletins, dois para conselhos de classe e quatro para atividades científicas, esportivas e culturais.
Também terão reposição de dez dias letivos entre 12 e 23 de dezembro, cinco dias para a revisão das atividades de aprendizagem, entre 26 e 30 de dezembro, cinco dias destinados às provas finais entre 2 e 6 de janeiro de 2012

terça-feira, 25 de outubro de 2011


MEC VAI PROPOR UMA HORA A MAIS NAS ESCOLAS


O Ministério da Educação bateu o martelo e vai propor ao Congresso o aumento da carga horária de aulas nas escolas das redes pública e privada de ensino básico

Fonte: O Globo (RJ)
BRASÍLIA. O Ministério da Educação (MEC) bateu o martelo e vai propor ao Congresso o aumento da carga horária de aulas nas escolas das redes pública e privada de ensino básico.

A ideia é acrescentar uma hora na jornada mínima diária, que subiria das atuais quatro para cinco horas. Com isso, o ministério abandona a outra possibilidade em discussão, que previa ampliar em 20 dias o ano letivo, dos atuais 200 para 220 dias.

A decisão foi anunciada ontem pela secretária de Educação Básica do ministério, Maria do Pilar Lacerda. Ela disse que será previsto prazo de transição de até quatro anos.

A definição ocorreu na última terça-feira, em reunião do Ministério da Educação com representantes de governos estaduais e municipais, estudantes, professores, especialistas e parlamentares.

Pesou o argumento de que a extensão do calendário escolar esbarraria na exigência legal de férias de 30 dias e recesso de 15 dias dos professores, além dos feriados nacionais e locais.

- Ficou claro que é muito mais viável aumentar a carga horária diária - disse Maria do Pilar.